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  • Foto do escritorRevista Maxxi

A Prisão do Pensamento Rígido

Ser livre é abrir mão da necessidade de estar certo

Nem sempre a ausência de conflito reflete a paz.

Esta afirmação é um convite à reflexão que a Dra. Edith Eger, uma sobrevivente dos campos de concentração da segunda guerra mundial, nos convida a fazer em seu livro “A liberdade é uma escolha”.


O conflito é humano e não necessariamente limitador. O pensamento rígido, ao contrário, sim é que nos limita porque quando queremos, a todo custo, convencer os outros da nossa opinião e modo de pensar ou, tentamos mudar alguém fazemos prisioneiros a nós mesmos. Nos libertamos quando aceitamos que cada pessoa tem o poder de fazer as próprias escolhas.


Parar de rejeitar a convicção do outro é um meio de gerir conflitos. Eu posso adorar uma coisa que o meu melhor amigo detesta e não entende como eu possa gostar daquilo. Quem está certo? Na verdade, cada um tem a sua razão. Ele não precisa concordar comigo e também não precisa desistir de seu modo de pensar.


Na natureza o bambo nos dá exemplos incríveis de como a flexibilidade pode significar força! Essa força nos torna assertivos, seguros, firmes nas nossas atitudes e palavras, responsáveis pelas nossas convicções. Quando não, poderemos nos tornar agressivos ou passivos. Agressivos, decidimos pelos outros e passivos deixamos que os outros decidam por nós. E quando somos passivo-agressivos, impedimos que os outros decidam por si mesmos.


Deixar de transferir a responsabilidade de nossas vidas para outras pessoas é se manter fiel à próprias convicções, mas também garantir ao outro a liberdade para que seja assertivo sobre os próprios medos, desejos e esperanças.

No dizer da Dra. Eger: “O segredo para manter a liberdade durante um conflito é permanecer fiel à sua verdade e, ao mesmo tempo, renunciar à necessidade de poder e controle.”

Nesses tempos de tantas opiniões fáceis e da necessidade de invocar o chamado direito de expressão, das polarizações radicais precisamos nos perguntar se estamos livres ou aprisionados na incessante necessidade de ter razão.


O cuco é outro exemplo que a natureza nos oferece para refletirmos a respeito daquilo que acreditamos serem nossas convicções. O pássaro não constrói seu próprio ninho, ao invés disso coloca seus ovos em ninhos de outras aves que os chocam por eles. Assim, para que não choquemos os ovos do cuco é importante nos perguntemos se as convicções e pensamentos que acreditamos serem nossos e pelos quais nos colocamos em conflitos prejudiciais, muitas vezes, ferrenhos com outras pessoas foram construídos por meio de nossas reflexões e vivências e portanto dignos de nós mesmos.


Estamos sendo assertivos e livres ou passivos, deixando que outros ditem as regras? Ou somos nós que estamos querendo impor aos outros o nosso modo de pensar, de agir e de viver?

Importante entender que estamos presos e limitados seja impondo aos outros as nossas convicções, seja deixando que os outros decidam por nós.


Ajuda muito aceitar as pessoas como elas são e não como nós desejamos que elas sejam!

Quando criamos expectativas irreais sobre os outros ou nós mesmos nos frustramos e ficamos com raiva.


Quando ficamos presos a uma mentalidade do tipo “certo” ou “errado” vivemos um conflito prejudicial, sentimos que precisamos provar alguma coisa.


Todo ser humano comete erros e é falível. Assim, não somos nem santos nem incapazes. Podemos, simplesmente, aceitar o fato de que somos imperfeitos ao mesmo tempo que únicos, não há outro de você.


Não temos que gostar das coisas dolorosas ou desagradáveis que nos acontecem. Mas quando paramos de brigar ou resistir sobra mais energia e criatividade para seguirmos em frente. Podemos enfrentar qualquer situação, por mais desagradável ou injusta, com rigidez ou com flexibilidade. Qual é a sua escolha?


Sonia Bergman Liesenberg

Psicóloga/CRP 06/102944




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