• Revista Maxxi

Dia Nacional da Saúde. Entrevista com a Dra. Thayssa Vituri Flagioni

Num momento em que a saúde está em destaque no mundo, o tema tem despertado um interesse maior nas pessoas. Por isso é muito oportuno lembrar que temos um dia nacional da saúde, comemorado em 5 de agosto. A Lei 8.080/90, também conhecida como a primeira Lei Orgânica do SUS, reconhece a saúde como "um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade”.A definição da OMS, mais o que a lei brasileira atribui como direito fundamental, coloca a saúde num patamar de importância considerável. Mas é necessário que nós, cidadãos, tenhamos consciência dos nossos direitos, e lembremos que cabe-nos a responsabilidade de fazermos valer essas definições, promovendo os necessários cuidados com a nossa saúde.Tecnologia e recursos para termos boa qualidade de vida são crescentes. A Ciência tem caminhado no sentido de facilitar o acesso aos cuidados da saúde, tendo se destacado a telemedicina, que é o atendimento médico realizado sem a presença física do profissional e do paciente. Mas será que as pessoas estão cientes da importância dos cuidados com a saúde? E em plena pandemia, como está a busca pela boa saúde? A telemedicina poderia ser uma alternativa viável?Buscando respostas a essas perguntas, entrevistamos a médica matonense Dra. Thayssa Vituri Faglioni, com especialização em cardiologia pela USP de São Paulo, e uma das profissionais que atuam na UTI do Hospital Carlos Fernando Malzoni.

Qual a sua avaliação sobre a situação da Saúde em Matão do ponto de vista das pessoas que vão ao médico? Elas estão se cuidando? Essa busca de cuidado é maior para quem já está com um problema, ou para quem busca pelo caráter preventivo?

Em Matão, e estendendo-se ao Brasil como um todo, as pessoas que mais procuram atendimento médico alegam motivo de doença, em detrimento do caráter preventivo, que inclui o conhecido "check up", assim como informações e orientações em busca de saúde, do bem estar físico e mental.

Na sua percepção, qual o maior contingente de quem busca cuidar da saúde? Idosos? Jovens? Homens ou mulheres?

Se a pergunta fosse quem procura mais atendimento médico ou em serviço de saúde, a resposta seria mulheres de acordo com o sexo e idosos, de acordo com a faixa etária, com aumento da procura em função da idade. Agora responder quem mais busca "cuidar da saúde" é difícil, já que existem particularidades para cada um dos sexos ou idade. "Cuidar da saúde" é uma expressão ampla, que engloba realização de atividade física, alimentação saudável, o não uso de tabaco, adesão às campanhas de vacinação, o rastreio de doenças, entre tantas outras, que difere ao longo da vida e entre os sexos, dificultando a resposta a essa comparação. Por exemplo, a mulher procura mais atendimento médico, mas realiza menos atividade física que o homem.

Quando iniciou a pandemia da COVID-19 a procura por consulta aumentou ou diminuiu?

A procura por consulta médica de rotina reduziu com a pandemia. A minha recomendação é para que os pacientes que sofrem com doenças crônicas ou mais graves continuem buscando as consultas médicas, e não parem nenhum tipo de tratamento, porque a descompensação de tais doenças tornam o paciente mais exposto ao coronavírus e suas complicações. Já para pacientes que estão fora do grupo de risco, que têm consultas marcadas ou desejam apenas fazer um check-up de rotina, o ideal é remarcar.

Qual a sua recomendação para a pessoa ter uma vida saudável?

Uma vida saudável é um equilíbrio entre a saúde física e emocional. Para a saúde física, todos sabemos a importância da realização de atividade física, da alimentação balanceada, do sono reparador e de evitar o consumo de cigarro e bebidas alcoólicas. Esses fatores estão diretamente relacionados ao bom funcionamento do organismo humano, incluindo as funções vitais, o metabolismo, as condições gerais para viver sem doenças ou com o controle delas, garantindo disposição para realizar as atividades do dia a dia. A saúde emocional está mais direcionada à qualidade de vida, ao bem-estar e ao equilíbrio da pessoa consigo mesma e com o mundo. Para uma vida saudável é necessário buscar esse equilíbrio: "Mente sã, corpo são", pois problemas de saúde física podem impactar a saúde mental e o bem-estar das pessoas. Da mesma forma, problemas de saúde mental podem causar ou agravar problemas de saúde física.

Qual a frequência recomendável que uma pessoa pode buscar a consulta médica?

A frequência da consulta médica deve ser estabelecida pelo médico que acompanha o paciente e varia de acordo com o estado de saúde da pessoa, seu histórico de doenças, seus fatores de risco e doenças na família. De uma forma geral, podemos usar tal rotina: Crianças e adolescentes: No primeiro mês de vida do bebê é aconselhável realizar consultas 5, 15, 30 dias depois de nascido. Dos dois aos seis meses, a frequência é de uma vez ao mês. Até os 2 anos, as consultas devem ser trimestrais, e antes dos 7 anos, semestrais. Dos 7 aos 18 anos, uma consulta por ano é o suficiente. Adultos saudáveis: Devem realizar um check-up uma vez ao ano, podendo variar para avaliações ginecológicas ou urológicas. Grávidas: elas devem procurar o médico assim que tiverem a suspeita ou o diagnóstico de gravidez para iniciar o pré-natal. Até o sexto mês, as visitas ao obstetra devem ser mensais. Depois disso, podem ocorrer de 15 em 15 dias, de acordo com o decorrer da gestação.Idosos: se o idoso for saudável, não tiver nenhum tipo de doença ou tiver doenças crônicas controladas, deve ir ao geriatra ou clínico geral a cada seis meses para acompanhar o estado de saúde. Independentemente da idade, caso faça tratamento com alguma especialidade em específico, é preciso seguir as recomendações do médico especialista. A importância de seguimento médico, mesmo que em pessoas assintomáticas, inclui a conscientização sobre a necessidade de realizar determinados exames que realmente podem propiciar o diagnóstico precoce de doenças com curso assintomático (como câncer), e a diagnosticar doenças já instaladas, porém ainda não manifestadas (colesterol alto, diabetes, hipertensão) cujo tratamento terá impacto positivo na saúde e na qualidade de vida do indivíduo.

Qual a sua opinião sobre a telemedicina?

Estamos vivenciando um ano diferente em virtude da pandemia, e com isso novas formas de atendimento à saúde ganham mais forças, como é o caso da telemedicina, e sem dúvida, ela realmente facilita o acesso do paciente ao médico. Em um país tão grande como o Brasil, onde vários lugares têm escassez de médicos e serviços de saúde, a telemedicina é uma forma de garantir algum atendimento e orientação, mesmo que básicos, que poderão ser úteis até posteriormente à pandemia. Mas minha opinião pessoal é de que a telemedicina não substitui o atendimento presencial e o exame clínico do paciente, porque ambos são essenciais para uma boa prática da medicina.



Sobre a sua vivência na UTI, como é lidar com quem está à beira da morte?

Diante de algum caso com prognóstico limitado, onde a evolução da medicina e da tecnologia já não trazem mais benefícios ao paciente, faço-me lembrar que a morte é um capítulo natural da vida, e já que não é possível evitá-la, a nossa atuação deve ser no sentido de evitar que seja dolorosa para o paciente, dando também suporte para a família, auxiliando-os a compreender e superar a perda, trazendo dignidade ao doente terminal.