• Revista Maxxi

Dia Nacional do Livro


O isolamento e o distanciamento foram características intrínsecas a pandemia do covid-19, na qual a população do mundo todo parou e passou por experiências únicas. Para muitas pessoas, os grandes companheiros foram os livros, que são celebrados hoje (29) – Dia Nacional do Livro – em todo território nacional.


As livrarias, que tiveram que fechar as portas logo no início da emergência sanitária, foram altamente afetadas pela impossibilidade de vendas. Agora, podem vivenciar o retorno gradual de leitores e o aumento significativo nas vendas de livros em geral.


“As pessoas compraram muito mais livros [na pandemia]. Passados os quatro primeiros meses, quando houve muita incerteza e muitas dificuldades até mesmo de logística e de lojas fechadas, as pessoas começaram a se reconectar e as vendas cresceram, o que observamos no mundo inteiro. Aqui no Brasil demorou um pouco mais. Começamos a notar isso mais forte a partir de agosto. De setembro em diante, o crescimento foi tão grande que praticamente recuperou todas as perdas do período inicial da pandemia. E esse movimento permanece em 2021”, disse Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).


Segundo ele, neste ano de 2021, o setor está crescendo de forma robusta inclusive sobre 2019, período anterior à pandemia. “Acho que as pessoas redescobriram o prazer de ler e [isso] recolocou o livro nos hábitos diários”, disse Pereira.


Dados


Segundo a pesquisa Retratos da Leitura Brasileira, a quantidade média de livros consumida pelo brasileiro é de apenas 2,5 livros inteiros ao ano, um número baixo para poder sustentar o mercado literário.


Ainda na mesma pesquisa, foi mostrado que o Brasil perdeu 4,6 milhões entre 2015 e 2019, uma vez que a porcentagem foi de 56% para 52%. Já os não leitores, ou seja, brasileiros com mais de 5 anos que não leram nenhum livro, nem mesmo em parte, nos últimos três meses, representam 48% da população, o equivalente a cerca de 93 milhões de um total de 193 milhões de brasileiros.


Aumento de Vendas


O Painel do Varejo de Livros no Brasil, divulgado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) a partir de pesquisa feita pela Nielsen BookScan, demonstrou que, entre janeiro e setembro deste ano foram vendidos 36,1 milhões de exemplares de livros, aumento de 39% em comparação ao mesmo período de 2020.


Apesar da base de comparação ser baixa, já que em 2020 o setor ainda enfrentava muitos problemas relacionados à pandemia, esse aumento já é robusto em relação a 2019 também. “A gente está crescendo em 2021 em relação a 2019. A gente cresceu muito em relação a 2020, ano da pandemia. Mas se comparar com 2019, é um crescimento robusto também”, afirmou Marcos da Veiga Pereira, presidente do Snel.


Ficção


O gênero literário mais procurado durante a pandemia pelos brasileiros foi a ficção. “Em 2020, as pessoas consumiram muitos clássicos. O autor mais vendido durante a pandemia foi George Orwell, com ``A Revolução dos Bichos”, disse o presidente do Snel.

Outro livro que também apareceu entre os mais vendidos nesse período foi a ficção distópica 1984, também de Orwell. “Todo brasileiro deveria ler este livro”, acrescentou Solange. Segundo o Snel e a CBL, outros gêneros literários com alta demanda foram guias de culinária e gastronomia, livros infantis e publicações sobre negócios.


TikTok e novos leitores


Inicialmente o TikTok era um aplicativo apenas de humor e diversão, mas com a inserção dos booktokers na plataforma, influencers digitais que falam sobre livros na plataforma, a venda dos livros dispararam. Através de vídeos que podem durar de 15 segundos a 3 minutos, esses influencers compartilham suas leituras com seus seguidores.


Com a disseminação de booktokers na plataforma, livros lançados a anos atrás passaram a ser procurados e vendidos em grande quantidade. A autora de histórias juvenis E. Lockhart foi capaz de sentir a influência desses criadores de conteúdo. Seu livro “Mentirosos”, de 2014, entrou novamente para a lista geral de mais vendidos e, em uma semana, mais de 1.100 exemplares foram vendidos.


É inegável a influência positiva que a plataforma e seus criadores tiveram sobre um público essencialmente jovem, que agora busca na leitura uma nova forma de se entreter.

Dia do Livro


Em celebração ao Dia Nacional do Livro, é de suma importância reforçar a importância da leitura como instrumento de transformação. Através dos livros, é possível escapar da realidade e viver em universos alternativos, além de estar em constante aprendizado e enriquecer o vocabulário.


Os livros são uma porta aberta para mundos novos, novas formas de agir e pensar e contribuem com a formação do pensamento crítico de seus consumidores.


João Sanita/Com informações da Agência Brasil

Foto: Rovena Rosa


headbanner.png