• Revista Maxxi

Festival Fronteiras Brasil será voltado a formação de professores da rede municipal


Há 22 anos a cidade de Matão está inserida num dos festivais mais expressivos, de arte e cultura, do país, o 'Fronteiras Brasil'. E a novidade desta vez é que o evento será realizado em parceria com a Prefeitura, de forma remota e envolverá a formação continuada de professores da rede municipal de ensino. Por isso ampliou o nome para 'Fronteiras Brasil em rede'. As inscrições para o evento estão abertas até o dia (28) de junho e a realização será de (11) a (24) de julho, por meio da plataforma zoom.


O prefeito Cido Ferrari, lembrou a origem do 'Fronteiras Brasil': "esse projeto chegou em Matão, em 2009, por intermédio da professora Lygia Nicolucci, que levou a ideia até o então prefeito Adauto Scardoelli, obtendo dele todo apoiou para a implantação e participação da cidade no festival. Por isso sabemos que o evento sempre traz benefícios, como por exemplo mais conhecimento e engajamento cultural a toda comunidade", salientou Cido.


Desde 2016, O 'Fronteiras Brasil' é coordenado pelos artistas da Cia. Labirinto de Teatro, que participaram como arte-educadores em todas as edições anteriores e também de edições em outros países sediado na Casa PIPA. "Isso demonstra a qualidade da nossa produção artística e cultural, bem como a experiência que ela tem para realizar um evento desse nível", comentou o Secretário de Educação e Cultura, Alexandre Luiz Martins de Freitas.


Fronteiras Brasil em Rede


Este ano o festival acontece de maneira remota, por isso o nome 'Fronteiras Brasil em rede' e o público alvo será 'professores da rede municipal de ensino', cuja participação terá um viés de formação continuada.


Após 10 anos trabalhando o tema arte-educação diretamente com comunidades – crianças, jovens e idosos – o empenho dessa vez está em articular processos de formação junto aos professores da rede municipal de Matão, da educação infantil até o ensino médio.


Para isso o festival acontecerá como de costume, em duas semanas: na primeira, os arte-educadores poderão se inscrever para mediarem a preparação formativa de subgrupos de educadores; na segunda semana os arte-educadores (formadores) trabalharão em subgrupos com toda rede de professores do município.


Para Juliano Jacoppini, diretor de Formação Cultural, "Existe uma força muito grande quando unimos arte e educação, pois são esferas sensíveis e éticas de nossa formação global. Acredito que a construção dessa ponte de diálogo entre artistas e professores abrirá caminhos para configurarmos novos territórios que precisaremos mapear em nossa cidade, ampliando a escuta da cultura das escolas, dos bairros, das experiências acumuladas pré e pós pandemia. Tarefa desafiadora e que exige coragem!” Afirma Jacopini, que também atua como coordenador arte-educativo do festival, com Simone Marcondes.


“A pandemia tem nos levado embora a comemoração da vida, mas não a coragem de lutarmos pela vida, pelo humano, e nisso o Fronteiras sempre se empenhou: lutar pelo humano", disse a diretora de difusão cultural, Simone Marcondes.


"Neste ano, o 'Fronteiras Brasil', além da mudança para formato online, tem a mudança de público-alvo, que durante toda a sua história foi voltado para crianças, adolescente e idosos e desta vez se direciona aos professores da rede municipal de ensino, a fim de pensar e trocar experiências sobre arte e horizontalidade, bem como as distintas formas de inseri-las no ensino formal”, explica Gabriela Ramos, que divide produção e coordenação geral do festival com Douglas Aranha.


Mais sobre o Fronteiras Brasil em rede


O 'Fronteiras Brasil em rede' é um festival cooperativo de repercussão internacional idealizado pelo bailarino iraniano Khosro Adibi. O artista sentiu a necessidade de criá-lo para reforçar a cultura a partir de suas raízes sociais.


Por todos os lugares onde passa o festival, historicamente, recebe artistas voluntários de diferentes partes do mundo que trabalham com diversas linguagens (teatro, dança, música, artes visuais, literatura, circo, cinema, etc). Aqui em Matão, desenvolve práticas voltadas às 'artes-socioeducativas' junto a vários segmentos, além de fomentar o intercâmbio cultural entre artistas e comunidade.


O Fronteiras Brasil em Rede surge para dar continuidade, mesmo em um período tão delicado como a pandemia, a esta trajetória de mais de 10 anos de Festival, de estudos e práticas em arte-educação, sempre com um pensamento horizontal.


Casa PIPA e sua atuação


A Casa PIPA (Plataforma Internacional de Produção Artística), atualmente também é coordenada pela Cia. Labirinto, que está em residência artística desde o início da pandemia em 2020. Foi através do festival Fronteiras Brasil que surgiu a ideia de criar um lugar no mundo onde o pensamento e prática horizontal (práxis fundamental do festival) pudesse abastecer artistas nômades, que comungam dessa perspectiva criativa em arte. Outro fato relevante, que explica o desenvolvimento da Casa Pipa é a concessão do lugar (espaço) doado a Casa PIPA, pela Organização Não Governamental Ocara – Associação fundada em 2001, cujo trabalho é referência no âmbito da cultura, meio ambiente e cidadania, em Matão.


A estabilidade da Casa Pipa fez surgir em 2010 as primeiras movimentações, protagonizadas por um mutirão de interessados em arte e cultura (artistas e produtores culturais), objetivando a recuperação do espaço físico, que a partir de então, constantemente recebe adequações na construção arquitetônica (restauro, reparos e reformas), sendo hoje referência de espaço cultural voltado à promoção e difusão artística no interior paulista.