• Revista Maxxi

Fiocruz reforça tendência de queda na ocupação de leitos por covid-19


A edição extra do Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz reforçou a tendência de queda na ocupação dos leitos da doença para adultos. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) “o indicador continua apresentando sinais de queda ou estabilização no país”. Os dados foram obtidos dia 20 de setembro e indicam que nenhum estado está com taxa superior a 80%, a chamada zona crítica.


Os pesquisadores do Observatório, responsáveis pelo Boletim, notaram que o Espírito Santo e o Distrito Federal estão na zona de alerta intermediário, com taxas, respectivamente, de 65% e 66%, enquanto os outros estados estão fora da zona de alerta. Para o distrito federal, o motivo do aumento de leitos de 55% a 66% pode ser o gerenciamento de leitos na unidade federativa.


“A redução paulatina de leitos continua sendo observada, e, na última semana, foram registradas quedas nos leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Distrito federal”, afirma os pesquisadores.


Recomendações


Apesar da vacinação e a melhora no índice dos indicadores, os pesquisadores reforçam que ainda é preciso ter cautela e manter os cuidados como o distanciamento social, o uso de álcool em gel e o uso de máscaras.


Os cientistas ainda defenderam a aceleração da vacinação e a ampliação do número de adultos vacinados, uma vez que uma parte deles se recusa a tomar o imunizante ou não completou o esquema vacinal, e a aplicação da terceira dose para idosos e imunossuprimidos. “Neste contexto, o passaporte vacinal é uma política de proteção coletiva e estímulo à vacinação”, indicaram.


Após a fase aguda da pandemia, os pesquisadores dizem que o Brasil precisa se preparar para o enfrentamento do covid-19 a médio e longo prazo. Segundo eles, é necessário “considerar o passivo assistencial durante a pandemia, que é de elevada magnitude e exige que o sistema de saúde se organize para dar respostas eficientes, como também a continuidade do uso de máscaras e de certas medidas de distanciamento físico, frente à perspectiva de se conviver com a covid-19 como uma doença endêmica por um longo período”.


Registros


Os pesquisadores do Observatório alertaram para a elevação abrupta no número de casos de covid-19 notificados no sistema e-SUS, registrada na Semana Epidemiológica (SE) 37, entre 12 e 18 de setembro. A alta é resultado da inclusão de registros que estavam retidos, o que impactou, principalmente, os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. “Entretanto, apesar desses dados novos terem contribuído para o aumento da média nacional de casos, não podem ser considerados como uma reversão de tendência de queda na pandemia”, analisaram.


A alteração repentina contribuiu para o aumento da média nacional de infectados, mas conforme os pesquisadores, não representa uma reversão da tendência de melhora nos índices da pandemia. Esta avaliação é relativa ao período da SE 37. “Esse episódio serve como alerta para questões importantes relacionadas ao fluxo e oportunidade dos dados e suas consequências para a tomada de decisão. O atraso na inclusão dos registros relacionados às semanas anteriores contribuiu para uma subestimação dos indicadores de transmissão da doença e de casos, principalmente nesses estados, tendo como um dos resultados possíveis a flexibilização de medidas sem respaldo em dados”, avaliaram os pesquisadores.


Mesmo assim, os valores computados de outros indicadores da pandemia, empregados pelo Observatório Covid-19 da Fiocruz, apontaram que os registros relacionados à transmissão se mantém em queda, como a positividade de testes, a incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a mortalidade e a ocupação de leitos de UTI.


De acordo com o estudo, “o real impacto da doença foi subestimado, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, porque o volume de casos deveria ter sido computado em semanas anteriores e medidas de flexibilização foram adotadas sem respaldo estatístico''. O país perdeu a oportunidade de identificar locais e grupos de risco. A confirmação de casos suspeitos e o rastreamento de contatos foram também impactados”, observaram.


Fonte: Agência Brasil



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