• Revista Maxxi

Grupo de pesquisa desenvolve software para entidades sociais


A disponibilidade de softwares no mercado é ampla e atende vários setores, da indústria e comércio ao entretenimento. Entretanto, a contratação de grupos que criam esse tipo de ferramenta nem sempre é acessível às instituições que lidam com causas sociais. Um grupo de estudos da Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Taquaritinga percebeu esse cenário e identificou que os trabalhos que realizavam, inicialmente propostos para treinar os conhecimentos adquiridos em sala de aula, poderiam beneficiar causas importantes.

Entre os projetos, está a criação de um software de gerenciamento de residentes em lares de idoso e um game para auxiliar no desenvolvimento de crianças autistas.

O Grupo de Pesquisa em Engenharia de Software (GPES) realiza um trabalho de iniciação científica baseado no desenvolvimento de pesquisas que contribuam para o avanço regional e nacional. Liderados pela professora Daniela Gibertoni, o grupo é formado por estudantes dos cursos de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS) e Tecnologia em Sistemas para Internet. A cada novo projeto, novos alunos são selecionados, através de um processo seletivo, para participar do grupo.

Em atividade desde 2011, o GPES permite aos participantes trabalhar engenharia e software e a interação entre humanos e computadores. “Promovemos o desenvolvimento de sistemas em diferentes plataformas, usando a internet como meio de comunicação e interação. Criamos produtos úteis à própria Fatec e também sites e ferramentas para outras unidades do Centro Paula Souza”, conta a professora responsável.

Informatização

A sugestão de um professor mostrou que o grupo poderia ir além das soluções para a própria faculdade. Ele contou ao grupo GPES sobre o desafio que uma casa de longa permanência para idosos, de Ibitinga, enfrentava para realizar o gerenciamento dos residentes. Daniela relembra que o colega de aulas explicou sobre a dificuldade da entidade para realizar o acompanhamento online. “Era tudo no papel, feito de forma manual.”

Após reuniões e visitas ao abrigo dos idosos, o grupo de pesquisa desenvolveu o software Doutor Vida. A ferramenta de gerenciamento de residentes tem o objetivo de informatizar qualquer casa de longa permanência.

“Com o Doutor Vida, a instituição centraliza e armazena com segurança os prontuários de cada morador da entidade, bem como os dados e atividades realizadas pelos profissionais que atuam no local.”. O sistema também emite relatórios e facilita o arquivamento de prontuários físicos.

O Doutor Vida está disponível em plataforma web e mobile. A ação, que teve início em Ibitinga, já funciona também em casas de repouso de Taquaritinga, Itápolis e Guariba.

Para implantar o Doutor Vida, o responsável pela instituição deve entrar em contato pelo e-mail daniela.gibertoni@fatec.sp.gov.br. É necessária a assinatura de um documento com as regras de doação do software e os novos usuários recebem orientações para instalação e utilização da ferramenta.

Game

O sucesso do software para as casas de idosos trouxe outro desafio ao GPES: auxiliar na concepção de uma ferramenta que contribuísse para o desenvolvimento de crianças com autismo. “A sugestão veio em uma conversa entre os integrantes do grupo. A proposta foi uma solução que pudesse ajudar na alfabetização e no processo evolutivo de crianças com transtorno do espectro autista (TEA)”, explica a orientadora do grupo.

A ideia saiu do papel e agora, em parceria com profissionais e responsáveis por alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), o GPES trabalha no projeto que tem como tema “A contribuição do Design Emocional para o desenvolvimento de interfaces que promovam maior experiência de uso para crianças com TEA”.

De acordo com Daniela, a proposta dos estudantes é um jogo que vai colaborar para que as crianças conquistem mais qualidade de vida. “O aplicativo é todo pensado para atender às necessidades específicas desse grupo. São raros os materiais publicados com essa abordagem, como alternativa à elaboração de interfaces, conta. “Desejamos colaborar no processo de aprendizagem das crianças autistas e avançar nas pesquisas sobre o tema, trazendo recomendações de desenvolvimento.”

No momento, os estudantes atuam na criação dos cenários do jogo. Ao finalizar essa etapa, a aplicação será disponibilizada aos alunos da Apae, para que sejam avaliados a experiência de uso e o comportamento das crianças.

A diretora da Fatec, Luciana Aparecida Ferrarez, avalia que os trabalhos realizados pelos grupo geram uma experiência que vai além dos conhecimentos técnicos. “Os estudantes ficam imersos no projeto como um todo, diante de uma realidade social muito diferente da que eles vivem, sensíveis à situação social com a qual estão trabalhando. Isso permite um ganho muito importante também para o desenvolvimento humano do grupo”.

João Sanita/Com informações da Ag/Gov/SP