• Revista Maxxi

Hoje é o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência

Capacitismo: como evitar expressões discriminatórias com pessoas portadoras de deficiência

Nesta terça-feira (21) é lembrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado desde 1982 por iniciativa do Movimento pelos Direitos de Pessoas com Deficiência, porém oficializado somente em 2005 pela lei Nº 11.133.


O grupo se reunia desde 1979 e reivindicava melhorias e direitos para a vida das pessoas com deficiência e graças à mobilização de ativistas com ou sem deficiência foi possível conquistas significativas no âmbito político e nas leis que beneficiam essa parcela da população.


No Brasil, segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem 17,3 milhões de pessoas portadoras de deficiência, sendo que 49,4% desses são idosos.


Capacitismo


O capacitismo é uma das formas de preconceito contra pessoas com deficiência e envolve uma concepção precoce acerca das capacidades que o portador tem ou não, e geralmente reduz uma pessoa a sua deficiência.


Esse é um problema estrutural na sociedade brasileira e está presente em quase todas as nossas práticas cotidianas, como por exemplo, presumir que uma pessoa com deficiência seja incapaz realizar alguma atividade que as pessoas normais realizam.


A criação de espaços pautados para pessoas portadoras de deficiência, como por exemplo uma porta de entrada específica para essa parcela da população, também é uma forma de preconceito. Apesar de parecer uma boa ação por entender a especificidade destes corpos, o valor atribuído é negativo, indicando que tais corpos não se encaixam no que é considerado normal.


Ademais, o capacitismo está presente também na forma de falar, em expressões como “tá surdo?”, “dar uma de João sem braço”, “parece cego em tiroteio”, “parece demente” “que mancada”. Essas expressões foram naturalizadas no léxico como isentas de preconceito e discriminação, mas que guardam uma concepção segregacionista.


Lei de Cotas


Medidas como a Lei de Cotas são de extrema importância para começar a inclusão, apesar de não sanar todos os problemas e limitações sociais impostas para pessoas com deficiência.


Há três décadas a Lei de Cotas garante que as pessoas portadoras de qualquer deficiência sejam inclusas no mercado de trabalho. Essa lei estabelece que empresas com mais de 100 funcionários preencham uma parcela das vagas com pessoas com deficiência, entretanto, a reserva de vagas depende do número total de empregados.


“A Lei de Cotas vem para pagar uma dívida histórica de séculos de segregação, mas é como um financiamento imobiliário, o pagamento é baixo diante do saldo devedor. Acredito que, sem a Lei de Cotas, o mercado de trabalho não teria se aberto a pessoas com deficiência.


Porém, é preciso treinar as organizações a colocarem valores na diferença. E não apenas querer contratar um “deficiente leve” como se isso fosse possível, apenas para cumprir a legislação. Mas temos referências bem-sucedidas de empresas que de fato começaram a colocar valor na diferença e a compreender que todos podem contribuir com as metas organizacionais.”, afirma a psicóloga Andréa Chaves.


Inclusão na internet


Não é novidade que desde seu surgimento, a internet tem sido um agente de mudanças em diversos aspectos da vida humana e através dela é possível aprender e incluir pessoas que antes não tinham espaço de fala na sociedade.


Influencer portadores de deficiência tem sido parte fundamental para auxiliar as pessoas a deixarem de usar expressões capacitistas no cotidiano. Através de conteúdos nos perfis do TikTok ou Instagram, esses influencers desenvolvem um papel importante na conscientização.


Durante a quarentena, Pequena Lô viralizou no TikTok produzindo conteúdos de comédia e hoje conta com mais de 5 milhões de seguidores na plataforma. Lorrane possui membros curtos devido a uma síndrome ainda não identificada e utiliza muletas para se locomover.

Mariana Torquato, do canal “Vai uma mãozinha aí?”, está presente na internet há algum tempo e no seu canal do youtube aborda constantemente o capacitismo em suas redes e busca conscientizar as pessoas acerca de diversas pautas que englobam o tema.

João Sanita/Com informações da Agência Brasil

Foto: Gabriela Borba