• Revista Maxxi

#O AGRO NÃO PARA


“A PRIMEIRA E A MAIS RESPEITÁVEL DAS ARTES É A AGRICULTURA”, essa frase proferida pelo filósofo e cientista político Jean-Jacques Rousseau em meados de 1700 continua mais atual que nunca. Enquanto diversos setores tiveram que lidar com enormes prejuízos, a agricultura e tudo que gira em torno dela, como a indústria de máquinas e equipamentos, conseguiu passar sem problemas pela pandemia e até registrar crescimento enquanto demais setores da economia amargam grandes prejuízos.

A cidade de Matão pode testemunhar esse fato. Não paramos nenhum dia. Trabalhamos ininterruptamente e a produção das nossas máquinas serve para alimentar boa parte do mundo.

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cresceu 1,26% no mês de julho (último índice disponível). Dessa forma, o setor completou sete meses seguidos de alta em 2020, com crescimento acumulado de 6,75% no período.

E em termos de tendência, podemos dizer é que o PIB do agronegócio permanece em alta e vai fechar o ano com um crescimento importante. Esses números divulgados no acumulado entre janeiro e julho, revelam que o crescimento do setor foi o maior da série histórica. Com essa perspectiva positiva verificada nesses meses até o final do ano podemos projetar que o agronegócio possa atingir 25% de participação no PIB total do Brasil.

Sabemos que muitos fatores contribuíram para esse desempenho, a safra record principalmente, além dos preços favoráveis à exportação, em função da desvalorização do real frente ao dólar, ajudaram a manter o agronegócio em alta, apesar dos desafios apresentados por esse ano tomado pela pandemia.

De outro lado, os conceitos de agricultura de precisão e o uso de tecnologia digital no campo vivem um momento de grande crescimento, com novas tecnologias sendo desenvolvidas e aprimoradas para a melhoria e aumento da produtividade no campo.

De acordo com a Confederação Nacional da Agricultura, nos últimos 40 anos a produção agropecuária brasileira se desenvolveu de tal forma que o Brasil se tornou um dos maiores fornecedores de alimentos do futuro.

Temos, hoje, uma agricultura adaptada às regiões tropicais e uma legião de produtores rurais conscientes de suas responsabilidades com o meio ambiente aliadas à produção de alimentos. Essas pessoas compõem o setor produtivo mais moderno do mundo, que vem transformando a economia brasileira.

Produzindo cada vez mais, o Agro brasileiro reduziu drasticamente o preço da alimentação, melhorando a saúde e qualidade de vida da população urbana, liberando seu poder de compra para bens produzidos pela indústria e pelo setor de serviços.

Produzindo excedentes cada vez maiores, o agro expandiu suas vendas para o mundo, conquistou novos mercados, gerando superávits cambiais que libertam a economia brasileira.

Por décadas o agronegócio tem ajudado o País a consolidar seu PIB, colaborando no equilíbrio da balança comercial, mesmo em épocas desfavoráveis

A agricultura não consiste em apenas um tipo de conjunto de técnicas. Na verdade, são vários tipos de agricultura, principalmente no Brasil. Essa diversidade se dá principalmente pela extensão do país, já que possui um clima variado e características muito distintas entre uma região e outra.

Portanto, é correto afirmar que a agricultura foi determinante no fluxo dos povos antigos. Ela também surgiu como uma alternativa à caça e pesca, que eram mais comuns à época. Contudo, até hoje ela tem essa importância, principalmente para a economia, já que muitos povos a utilizam para garantir a diversidade da sua base econômica.

No Brasil, impulsionado pelo agronegócio, mais uma vez o setor de máquinas agrícolas dá mostras de sua capacidade de se destacar do panorama da indústria nacional, a exemplo do ocorrido em outros momentos de crise. Já se ouve de alguns fabricantes que a recuperação certamente foi mais rápida que a prevista anteriormente, pelo menos neste setor industrial.

E os números do setor no mercado interno justificam essa postura mais otimista, já que antes da pandemia o mercado estava bem aquecido. Com o advento da Covid-19, houve um período de acomodação das expectativas futuras - em abril havia muita dificuldade de enxergar o real impacto da pandemia, mas passado este período, o mercado voltou bem, considerando a enorme dificuldade de realização do processo de compra e venda com o vírus em circulação.

Temos uma perspectiva para 2021 de um mercado normal, aquecido e o ano de 2020 deve fechar bem próximo da estabilidade, com variações de crescimento.

Esse ano tivemos um grande aumento na rentabilidade, uma vez que a produção bateu recorde. Esse aumento na produção, aliado a um preço razoável gerou recorde nas exportações. De outro lado, não registramos diminuição na exportação das commodities. Logo, o que se observou foi um cenário muito favorável ao agricultor. Trata-se de um momento histórico para esse setor, pois com mais rentabilidade, obviamente esse produtor investe mais. Que venha 2021!!!

João Carlos Marchesan

Administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ