• Revista Maxxi

O mercado de trabalho no pós-pandemia


Pouco antes do começo da pandemia do covid-19, as “profissões do futuro” já eram discutidas no mercado de trabalho. Jovens que estavam terminando o ensino médio e começariam no ensino superior se preocupavam com o curso escolhido, temendo que futuramente não houvesse espaço para a profissão escolhida.


Assim sendo, pode-se dizer que a pandemia acelerou o processo de mostrar à sociedade quais seriam as profissões de maior destaque no mercado, uma vez que, a partir do isolamento social, a tecnologia foi um agente crucial no auxílio do isolamento.


Segundo o levantamento feito pelo Banco Nacional de Empregos (BNE), as profissões que terão mais destaque, neste ano, são aquelas relacionadas à área da saúde, tecnologia, logística e construção civil.


Enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, desenvolvedores de software, analista de sistemas, pedreiro, mestre de obras, ajudantes de pedreiro, entregador, entre outros, são cargos que durante a pandemia tiveram grande procura.


A fim de adaptarem a própria casa, aqueles que puderam cumprir o isolamento social precisaram otimizar o espaço para dividir com o parceiro que estava trabalhando de casa, ou até mesmo com as crianças que precisavam assistir às aulas online.

Dessa forma, mestres de obra, técnicos de celular e profissionais de entrega foram os trabalhadores autônomos com maior demanda de acordo com a pesquisa do aplicativo GetNinjas, aplicativo que conecta clientes a prestadores de serviço através da internet.


Os entregadores na pandemia


Diante do cenário pandêmico, os aplicativos de delivery foram procurados por empresários e consumidores para não deixarem de consumir no restaurante de sua preferência. Graças a essas plataformas e ao serviço de entrega, muitos estabelecimentos sobrevivem a pandemia e as suas consequências.


Segundo estudo da Mobills, uma startup de gestão de finanças pessoais, as vendas por delivery cresceram quase em 100% entre janeiro e maio de 2020. Após analisar dados de mais de 160 mil usuários, a empresa concluiu que os principais aplicativos de entregar (Rappi, Ifood e Uber Eats) cresceram 94,67% no período da pandemia.


Como consequência do crescimento desse setor, a demanda por entregadores cresceu também, transformando o trabalho informal como forma de sobrevivência de muitas famílias brasileiras.

Somente o Ifood possui 160 mil entregadores ativos na plataforma, entretanto, as condições de trabalho dos entregadores não são favoráveis. As alegações dos entregadores são a queda no valor das taxas de remuneração, os bloqueios indevidos e sem justificativas dos profissionais e o sistema de pontuação de ranking


A migração para o e-commerce


O e-commerce já era uma inovação tecnológica procurada por alguns comerciantes por ser mais versátil e mais barato. De acordo com um relatório disponibilizado pela empresa Mastercad SendingPulse, um indicador de vendas no varejo, o e-commerce brasileiro cresceu em 75% em 2020, se comparado com 2019.


O estudo ainda apontou que os setores de maior destaque e crescimento foram hobby & livrarias (+110%) e o de drogaria (+88,7%), ambos são reflexos das consequências do isolamento social e dos novos hábitos adquiridos pelos consumidores.


Desde o início da pandemia, mais de 135 mil lojas no Brasil migraram para o comércio eletrônico, o que antes tinha em média 10 mil lojas por mês para vender via internet. Os dados são da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCCom), que através do estudo, apurou que as receitas do e-commerce chegaram a R $106 bilhões.


João Sanita