• Revista Maxxi

Uma reflexão sobre as bênçãos

Empresto o título deste artigo de Charles Dickens, o autor de um conto de Natal, onde nos convida no período natalino a refletirmos sobre as bênçãos que tivemos ao longo do ano. Nas últimas décadas, tivemos em todos os Natais uma oportunidade de refletirmos sobre as muitas bênçãos que recebemos e também uma forma de retribuirmos aqueles que mais precisam. A partir do mês de outubro cada um de nós tínhamos a chance de nos tornarmos um Papel Noel anônimo. Diferente dos contos natalinos, nossos sacos de presentes eram verdes, vinham cuidadosamente preenchidos com uma etiqueta, contendo uma lista de presentes e uma mensagem especial, dizendo que podíamos pôr algo mais que nosso coração desejasse.

Assim, aos milhares as pessoas percorriam o comércio, com sacos em punho, para montar de maneira tão carinhosa a sacolinha da Casa da Sopa, tornando um ícone de nossos Natais recentes. Sendo que no último domingo antes do Natal, Papai Noel chegava no Ginásio de esportes Décimo Chiozzini, onde logo nas primeiras horas da manhã caminhões lotados, carregando milhares de sacolas aportavam por lá, sendo que em poucos minutos uma multidão começava a se formar e agruparem em ordem respeitosa, de acordo com as cores dos laços de suas sacolas. Naquelas filas haviam pessoas simples, por muitas vezes pude ver mulheres de rostos tisnados carregando de maneira rígida, tal como minha mãe me carregava nos brincos da infância nas nossas idas a algum evento importante, seus rebentos para se deliciarem com um cachorro quente.

Infelizmente, o distanciamento social obrigou a uma forçosa pausa neste ano, mas por certo no ano vindouro estaremos lá mais uma vez, para vermos aqueles rostos alegres e os sorrisos fáceis e despretensioso daquelas crianças, onde somos convidados a refletirmos sobre as bênçãos de Natal e teremos a oportunidade de sermos úteis ao nosso próximo, que é o grande objetivo desta jornada terrena.

JORGE INNOCÊNCIO DA COSTA